Terça-feira, Setembro 01, 2009
Segunda-feira, Junho 30, 2008
Céu Invertido

Intro: (Dm9)
Dm
Hoje ouvi teu silêncio:
Dm/C
Deu dor de tua dor,
G/B
De nunca haver tido.
Gm/Bb
De nunca haver sido
Dm
O que se tenta prezar,
Dm/C
Sorver, suprir, calar...
G/B
E acaba inibido
Gm/Bb
Acaba inibido
Dm
E as horas, então,
Dm/C
Se gastam em vão:
G/B
Um céu invertido
Gm/Bb
Um céu invertido.
Dm
Quem vamos incendiar,
Dm/C
Apreender, domesticar?
G/B
Não basta ter tido,
Gm/Bb
Não basta ter ido
Dm
Por uma trilha sem se guiar,
Dm/C
Sem ter alguém pra’costumar
G/B
Se dar por vencido
Gm/Bb (Dm Dm/C G/B Gm/Bb)
E dar por vencido seu amor.
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
Minha mais nova composição:Nosso dia (Junior Chao)
D C
Você acabou de me ligar:
G D
Disse que ia aparecer
G Em
Mas não precisa atravessar a cidade não
G A A4 A
Eu chego aí, você vai ver
D C
Quero ouvir você tocar
G D
Lindas canções do teu querer
G Em
Disse que’u tava chegando, te buscar
G A A4 A4/7
Como vai nosso dia ser?
D
Ser você
C
Se cuidar
Bb
Ser tão bom
A
Ver você
D
Seu dormir...
C
Me leva junto aos teus sonhos
Bb
‘Cê vai ver
A
Deixa estar
D C
Vou subir até aí
G D
E roubar tua atenção
G Em
Quem diria que ia terminar assim:
G A
Andando pela contramão
D C
E parece que foi ontem
G D
Nunca havia despido a alma
G Em
Nunca havia perdido o medo
G A A4 A4/7
Não havia perdido a calma
D
Com teu jeito de invadir
C
Com teu jeito de falar
Bb
De tentar me inibir
A
Não vai nos remediar
D
Se você for dirigir
C
Ou o telefone desligar
Bb
Não esqueça que aqui
A A7
O coração vive a pulsar
D
Por você
C
Se cuidar
Bb
Ser tão bom
A
Ver você
D
O seu dormir...
C
Me leva junto aos teus sonhos
Bb
‘Cê vai ver
A
Deixa estar
Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
"Reloj"
Falava-se do fomento
Em conter o tempo.
Que tempo?
Se há contento e tempo não há?
11/12/2006
Junior Chao
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
Portrait II - o óbvio
A caneta é espada do poeta cuja tinta, sangue impregnado de emoção,
se alinha ao brio que se perde sobre o vasto
cemitério de letras: o papel.
Eterno gozador das próprias antíteses.
Junior Chao
Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Ser Humano
Ser constante, ser cortante
Ser esnobe, ser ingrato
Ser motivo, emotivo
Ser motivo irrelevante:
Ser palavra, ser palavra.
Ser possível, ser escrito
Ser de fogo, ser de água
Sêde água,
Sede e água.
Ser um corpo rastejante
Ser um vivo, ser vivo
Ser réptil, ser cobra
Ser levado, inoperante
Ser escravo, ser memória
Sem memória...
Ser polêmica, ser estréia, ser estrela
Ser azul, céu azul
Ser claro, ser escuro
Sem cor
Sensitivo, sem sentido
Ser nato, ser flor
Ser tudo ou ser nada:
Ser humano
9 de novembro de 2006
Junior Chao
Colóquio do Último Instante
Não foi fácil.
Até aquele instante, se pensava possuir pleno controle em suas mãos.
Optar entre o destino e a coincidência poderia lhe custar as frias memórias acumuladas durante toda a sua existência.
Caminhou lentamente em direção ao jazigo próprio: seu chão. O suor lhe escorria pelas mãos em doses pouco econômicas. Lembrou-se de levar o pente à cabeça, deslizando pelos já últimos fios que lhe restavam.
Respirou.
Respirou novamente. Ponderou, por muitas horas, acerca de quais seriam seus próximos passos. Manifestou em seu coração incentivo para concluir a última página. Letra por letra, como se erguesse uma edificação, foi dando forma derradeira à sua tela.
Suspirou novamente, agora, pigarreando ainda o cigarro que, há pouco, havia dispensado ao corpo insano.
Fitava as horas de maneira compulsiva, em intervados que não lhe custavam dois minutos e meio de lembranças: as últimas que lhe restaram.
9 de novembro de 2006
Junior Chao
Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Desire
Quero me fartar de toda ingenuidade
deflagrada pela constância maior,
evocada dos teus interiores fulgores.
Quero calejar meus pensamentos e,
quem sabe, ceifar os sentimentos
plúrimos que arranham o penar.
Quero, assim, remar pela vastidão
no instante mesmo em que me estendem
os olhos caídos, secos, avermelhados.
Enfim, quero o que não foi querido:
a imprecisa e falsa saga de enrubecer
quando todo o tempo parar.
5 de novembro de 2006
Junior Chao
Quinta-feira, Outubro 26, 2006
SONETO Nº 17 - O FINGIR
Finjo q'abomino teu estar
Ao Lado, enquanto permanecer
A órbita cética do olhar
Fingindo, também, um não me ver
Perseguir ou reticenciar
Culminando em toque o meu querer
Co'as teclas, faço tua voz casar
Sustenidos no entardecer
De logo, a calma é sorte infeliz
Que possa, que noite, que derrama
A chuva que revela e só diz:
- Que lama reluzente, que emana
luz, de braços abertos, eu quis
Fingidor que'm verdade te ama.
Junior Chao
25/10/2006
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
Como fluem as letras (parte 1)

Como faziam os poetas da II Geração Romântica, ex vi Álvares de Azevedo, Castro Alves, e o meu preferido Lord Byron, a foto flagra momento de inspiração, lá em casa, com os amigos, escrevendo após umas boas e suculentas taças de Cabernet.
Vinhos, letras, poesias e alma repleta de satisfação. E podemos lembrar Byron:
" 'Tis time this heart should be unmoved, Since others hath it ceased to move:Yet, though I cannot be beloved, Still let me love!My days are in the yellow leaf; The flowers and fruits of love are gone;The worm, the canker, and the grief Are mine alone! "
(On This Day I Complete My Thirth-Sixth - 22 jan 1824 - Byron)
Este é o espírito!
Junior Chao
SERENAR (e há quem diga "depois da queda, o coice")
Então choveu!
Depois da água de lágrimas,
Secaram-me o rosto as tuas mãos.
Fingiu ser dia, posto que era Sol
Que tal brilhar
Incompatíveis me fossem os lábios
Se não fosse os teus,
Se não fossem os meus...
Então pediu para entrar.
Levou sorrateira a mão aoencosto
Do ombro e disse que ia ficar.
O olhar duvidoso contradizia um não;
Dizia aos olhos um sim
Em frenética sensação
De que já lhe havia acontecido
a partida e a chegada de novos ais.
Junior Chao
10/09/06
Terça-feira, Outubro 17, 2006
Declaração do Amor Infinito
Vou te esperar!
Vou te esperar chegar
Com o velho sorriso,
o abraço amigo
e aquele jeito dengoso de olhar
Vou chegar
E vou de vez!
Trazer-te-ei para os meios meus braços
E te atarei
causando-lhe a segurança almejada
Mesmo cientes e inseguros desta ambição
-Louca ambição!
Revelarei para as estrelas
Que és o ímpar motivo do brilho solar
Que, em meu coraão, o descompasso se faz música
mesmo que, em arritmia, se adune em um nó.
Vou te esperar sentar e me olhar
como antes o fizera;
Vou te esperar porque,
sem saber,
Aprisionara-me em insensata ebulição
que, sem ao menos permitires,
ao mesmo tempo conjurava-me amar.
Sim!
Vou amar-te até a hora em que me negares
Envoltos por pálidas paredes
que segregavam o que era onírico acontecer.
Gritarei que te amo!
E, talvez, sem noção das horas que ultrapassam,
Promoveria fogos de artifício ao luar,
tocarei, então, tua música
depois, nossa música
E enfim, também, a minha
Cantaríamos juntos como aquela vez
Em que senti próxima timidez
De acordares ao lado meu
E fazer do sonho o que a realidade recomendou:
de me acusares de ser teu.
Até que nuvem perversa,
Escura e nua, se encarregue
De, ainda te esperando, trazer de volta
O medo desejado
De fazer tremer as pernas
quando ao cheiro teu.
Assim, em eclipse de Sol em Sol,
fazer o universo brilhar
Por tornar luz incompatível
Co'a escuridão antes costumeira...
Te amo para todo o sempre.
Junior Chao
09/09/06
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Ponto Crítico
Evasivas vagas subliminares existências
Apartávamos a sensação de estarmos juntos (quão juntos)
Separados, porém, por nossa própria junção (e tão...)
Equilibra-te ao ponto do sumo
Que extraiste de mim
Sem se permitir, ao menos,
a permissão de estar em ti.
E é só vontade, vontade
De correr,
De olhar você dormir.
De sorrir e sonhar
Abraçar você em mim.
E cantar, e cantar
e catar os explícitos pedaços
Que você me espalhou.
E levou, e levou...
Trago-me, enfim, ao nada
E trago ao nada
E trago o nada
Só pra ter a sensação do que já não ocorreu:
...fecho a porta entristecidamente...
abril/2006
Junior Chao
Terça-feira, Abril 25, 2006
Devaneios da Dúvida Cruel dos Teus Olhos Castanhos
No samba, a música parou.
E, no circo, o nariz do palhaço caiu...
Que honra tem o sol sobre teus olhos?
(que mantém nublado todo som)
(que mantém nublada tua cor)
Revestindo-se de forma inabsoluta
inabstrata
inebriante
inconsequente
Por medir-me a confiança depositada
e, ter a petulância, feito em infância
De minha imagem refletida ver
em teus olhos castanhos meigos
que me impedem de conter
de contar
de cantar
as tristes melodias das histórias de nós mesmos.
abril/2006
Junior Chao
Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
Blower's Daughter
Essa música me marcou o ano de 2005.
A música de Damien Rice já fala por si. Quem quiser baixar, vá no Kazza q tem.
Ela é o tema do Filme Closer.
Damien Rice- Blowers Daughter
Tom: F
F
And so it is
Bbs
Just like you said it would be
Cs
Life goes easy on me
Bbs F
Most of the time
F
And so it is
Bbs
The shorter story
Cs
No love, no glory
Dm
No hero in her sky
Bb
I can't take my eyes off of you
Am
I can't take my eyes off you
Gm
I can't take my eyes off of you
F
I can't take my eyes off you
Bbs Cs
I can't take my eyes off you
Bbs
I can't take my eyes...Bbs, Cs, F
F
And so it is
F Bbs
Just like you said it should be
Bbs Cs
We'll both forget the breeze
Bbs F
Most of the time
F
And so it is
F Bbs
The colder water
Bbs Cs
The blower's daughter
Dm
The pupil in denial
Bbs
I can't take my eyes off of you
Am
I can't take my eyes off you
Gm
I can't take my eyes off of you
F
I can't take my eyes off you
Bbs Cs
I can't take my eyes off you
Bbs (slide to Cs)
I can't take my eyes...
G
Oooooooooohh
G C.Lala
Did I say that I loathe you?
Am
Did I say that I want to
D Em
Leave it all behind?
C
I can't take my mind off of you
Bm
I can't take my mind off you
Am
I can't take my mind off of you
G
I can't take my mind off you
C D
I can't take my mind off you
C
I can't take my mind...
C
My mind...my mind...
'Til I find somebody new
Quinta-feira, Março 17, 2005
ENSAIO - CAPÍTULO I - PARTE I
Se assustou com a própria imagem. Um movimento incessante. A textura da parede lhe lembrava o lugar antes abandonado. Foi tamanha a velocidade com que tomou rumo, tomou prumo. Tocou meu pulso com desconfiança e alisou a minha testa. O que faria se isto piorasse? A sensação de se perder e saber onde se está era predominante. O ócio do coração, de tanto tempo, fez-se em cadaços para as minhas mãos. O corpo insão, insano, saneado...
A porta promete permanecer trancada até o fim da noite. Uma opinião maldosa foi pulverisada. Um jamais realizado; um nunca improvizado. Voltou o caminho: não hesitou em se perder. Colocou minha alma envolta por seus braços e não precisou acolher com tanta força. Um colóquio ilógico, rasgante, rasante...
A nuvem escura deu lugar a um eclipse de mãos e bocas.
__ Qual é a sua constelação? - questionou quase que subitamente.
O cume foi chegando ao último andar. Um momento psicodélico e apático. Bateu com o peito do rosto sobre um sino ali perdido. A vista permaneceu intacta e in signis. O ar era asséptico. O ar continuou asséptico. Se aqueceu o corpo sobre mim: um espaldar humano glorificado por ceder. A pressa não era presente. Escreveu, pois, missivas enigmáticas. De repente, um barulho adentrou-nos novaente a mente. Estilhaçado o silêncio, os espinhos se confundiam.
Recebeu-me findando a loquacidade insurgida, ressurgida, sobressurgida do desdém. Impôs-me a consequência, extinguindo a imprudência que me colocara ali então. Uma mentira acreditada; e nem sempre o bom lagarto restitui o trabalho do jardineiro.
Pensou: "Minha carência não se choca com a coincidência de você estar aqui". Foi um insight. O sol se dirigia à noite. O que não era aproveitável foi logo ressuscitado. Passou o rosto suado no meu pescoço e a apnéia pensou em me visitar.
--Então era isso!
--Sim. Entendeu tudo, não? - preocupei-me.
-- ???
-- O que foi?
-- (...)
-- Não fala nada agora então.
Devassa total. O mastro caiu afobado sobre toda a tripulação; o maestro fez todos desafinarem. O derradeiro estrondo não foi ouvido (o zunido). Citou a próxima fase: a exumação. Trancou-me em seu cárdio sem, antes, respirar-me uma solitária palavra. A bebida suntuosa deixou o estigma necessário. Recapeou os mesu pensamentos e fugiu...
Fugiu!
-- Com o que me encobres agora?
A voz não respostou. Ausentou-se do aposento afora. Permaneci pela minha conformidade. O teto ficou sem nexo e começou a sorrir. Apertou os meus olhos com os polegares e, com os indicadores, massageou-me as têmporas. A dor que consumia dissipou-se.
--Melhorou?
--Eu te amo.
106 era o número da casa. Paredes ainda comppostas e piso formado por tacos de madeira.
--Eu lhe perguntei se a dor passou.
--Eu-te-amo - repetiu paulatinamente.
Os dois, parados, procuravam explicação repentina para aquele minuto fático, fatal. Os olhos, talvez, não disputariam lugar jamais. Doravante, o grito interrompido proporcionaria odrama. O fogo iluminava borrado pela fumaça. A crença mal formulada: pensávamos nos pertencer...
A absolvição sumária pois.
(continua na parte II do Cap I - Ensaio)
Junior Chao
Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005
Verbete
Esqueçam, jovens, da literalidade
E abortem a vida quem lhes convêm
O contexto superado pela Ordem
É o vício inquisitório que convém
Nem tudo que é porta é passagem
Nem tudo que vai tem vem
Das bocas que escapam grandezas
Bobagens lhes seguem também
Alienação é um salto na lama,
Utopia: um vidro fumê
Anarquia insóbrios engana
Não se pode pregar sem se ver
Que o céu muitas vezes é a chama
que aborta a essência do ser.
Junior Chao
Tic-Tac
Confusos anti-horários
Confundem-se precários
Em semi-termos bussolares
No giro angular dos ponteiros
Paranóicos por tanto girar.
Desculpe, meu relógio, há muito estava parado...
Junior Chao
Sexta-feira, Novembro 12, 2004
DESDÉM
E ameaça o meu ponto mais frágil
Olha para trás: só o vento diz adeus
Me atira pedras n'gua e segue...
Tão sutil,
Numa placa de vinil escreve teu codinome
E a lança para o mar
Só eu estava vivo para ver
Ninguém nasceu para apreciar
O teu momento mais sórdido,
O meu momento mais mórbido
Junior Chao
Sábado, Novembro 06, 2004
MATO CABREIRO
Avoa a pedra de haxixe
Sobre a roça de maxixe
Vixe!
A velha enxada vai contar
Que amassa a massa do pão
E quem não é são (nem são)
Né não!
É o velho mistério de ruir
Benzei, ó velho, a cactude do sertão
E o que fazemos do chão seco e rachado
É brincar de quebra-cabeça
Em nossos dias de verão
E, na cidade, todo cabelo encharcado
O açude novo hidrata o gado
O mar nobre dos sem-chão.
Junior Chao
Segunda-feira, Outubro 11, 2004
O CISTO
O visto
Pelo não quisto...
Quem sabe rastejas
Pelo chão,
Pelo "não",
Pelotão!
Troços para tropeços
Cordas para prender
Pano para calar,
Para calar,
Te calar
E
Me calar.
Junior Chao
Sexta-feira, Setembro 24, 2004
OCASIÕES, DELÍRIOS OU O DESERTO INTERIOR
Foi calmo o perecer do vento...
Pois bem: não foi tão plácido. Noutro dia desses, fez-se o verão repousar ewntitulando-se TEMPESTADE e suposta poeira lhe cobriu a face. Foi duro! Duro! Agarganta se fez seca feito fazia-lhe a couraça do pé.
O que se chamavam cordas vocais, rachadas se tornaram, então, por consequência. De areia se molharam as vistas que, com lágrimas se hidrataram e, pela segunda vez, lhe impediram de enxergar... Já cansou. CANSOU!O sucesso daquela jornada se entranhava já em suas veias, através das quais percorriam os ecos que alicerçavam a sua vontade plena. Sucumbia à tragetória a cada passo perdido ao pôr-do-sol. Um ser simples, singelo e simpático que percorria o deserto criado pela própria aridez emanada de sua alma, própria alma... O carisma até então empregado desmembrou várias OCASIÕES pseudo-esquizofrênicas evidenciadas por bastante naquela direção.
A partida ficara para trás. Junto a esta, a inconformidade de nunca se conformar com nada (ou
coisa alguma). Uma aliteração paisagística: vento, voa, vago...
Só se ausentava da voz por não ter com quem falar; foi criando em seu templo um sulco que lhe consumia de cima para baixo, alcançando, ainda, o temor ali alojado. Tomou, enfim, posse dum cajado abandonado e lhe usou como carona. Há muito o velho cajado esperava por um traseunte. Houve um certo tempo denominado TRÉGUA.
Trégua (...)
O vento já não gritava tanto neste instante. Parece ter sorrido até com a agonia alheia. A vítima agora se encontra defrontada a uma formação rochosa onde resolve permanecer até o fim do assalto. Não hesitou em cerrar os olhos ardidos e orar, por ora, por orar...até o anoitecer total que viria.
Foram várias as milhas descontadas por esperar tanto na última cidade em que aportou o corpo. Eis o seu navio: o corpo, tendo a velha camisa ocre como velas dançantes. Seus pés se tornaram âncoras diante do cansaço. A respiração fraca, já aniversariante de dias, impedia-lhe de continuar por enquanto.
A noite caiu feito pedra: PAH! Assassinou toda luz ali contida na imensidão dos uivos anemoníacos.
" Os pesadelos são intrusos que invadem a mente" - lembrava a cultura indígena dos seus.
De repente se viu afogado à beira de um rio. Longo, largo, rico rio. Acordou. Puxava pelo ar. O corpo sedento já não mais suportava a solidão de parecer inanimado, alternando delírio e a desgraça existentes. Logo emergem duas duas mãos em sua frente, como planta que se espalhava incontinente, germiram da areia do deserto. Aos poucos surgiu um corpo; as mãos lhe deram água. Também lhe deram força. Porém a visão foi-lhe extraviada. O sol forte e a surra de areia lhe danificaram o olhar castanho-claro.
"Quem é você?" - indaga ainda rouco.
O silêncio predomina. Não houve resposta a curto prazo pelo menos. Uma voz tenra agora se pronunciava como um afago:
"Como me descreves? Não notas tu ser eu tua própria projeção? Sou tudo o que você abandonou por amor, por amar. Não te lembras da última vez que pensou em si mesmo? Falo aqui de Amor Próprio, não de narcisismo. Quantas horas abandonaste para desejar o que não lutaste para conseguir? Por que, então, foges pelo deserto de tua própria consciência, onde sabes, não encontrarás coisa alguma para refletir? Continuou ponderando:
"Tua teimosia o trouxe para o lado mais quente da sua fuga: encontraste infertilidade, sêca, solidão: FALTA GENERALIZADA. Deixaste ser dominado em troca de força alheia quando a força residia em ti! POr isto te tornaste cego. Só via o que queria e, por isto, fechas os olhos para evitar o indesejável. Tudo se tornou rotina em tua própria busca. Quando procurava se encontrar, se perdu por entre as próprias mãos. Temo que venhas a rescindir. Tua bondade e esperança o tirarão desta desventura. Enfrenta, pois, a tempestade que tu mesmo provocaste. Erga-te!"
Uma confusão se fez em seu coração quendo, logo, uma chama bem diferente de tudo que já havia visto , de tonalidade azul-anil, se acendeu oriunda do céu. Vai-lhe tomando a atenção. Uma sensação incômoda surpreende o seu sofrimento ainda mais. Uma voz, outra, então:
"Às vezes oplano antes aguardado se resguarda de ser aplicado por causa da inverdadeira vontade de o fazer funcionar. Muitas pessoas entram e saem de nossas vidas e algumas delas está apta a convergir conosco. As palavras nem sempre como queremos fluem. Necessário haver uma certa dose de ignorância destes obstáculos. Deve-se atravessá-los sem qualquer tentativa de se pensar duas vezes. Se não atravessamos, outro atravessará em nosso lugar. Prudência e cautela exagerdas não constituem uma boa idéia. As regras castram a vontade reprimindo ainda mais a evolução do ser. É o que chamo de RISCO CALCULADO."
O Suor lhe tomava o rosto, tendo os pés gelados e o cajado na mão. Seus pensamentos, em dúvida, se confrontavam com o que seria a verdade e o que pareceria verdade. Durante toda a sua vida dedicou-se aos princípios que lhe foram arguidos. A exigência e a virtude sempre estiveram ao seu lado. Entretanto vivera intensamente pelos outros, enquanto estes o carregavam nas costas até onde suportassem. A primeira voz volta a lhe alertar:
"Lembra-te de quando abandonaste a ti mesmo naquele vasto horizonte, onde nevoeiro e nuvens se confundiam por o horizonte ser muito próximo do que se chamava céu... Estavas em dúvida quanto aos valores sentimentais e a ocasião ali inflamada por tua grande culpa! Não olhavas para si, a não ser se espelhar. O sono era motivo de pesadelos pelo ar. Retorna à consciência!!!"
A segunda voz, indignada, contesta:
"Hoje estás aqui pela tua prisão interior. Os elementos bastantes hão de turvar-lhe as vistas a cada vez que ouvir as promessas de voltar, voltar, VOLTAR. Quantas vezes não lhe reconhecem pelos degraus que superas? Quantos já a ti vieram dar as mãos para prosseguir e dizer "Vai, você pode"? Esconda-se e ignora estes que lhe acompanhm por apenas estar contigo, vistos os dons virtuosos ou viciosos que lhe pertencem. Desiste de amar a si mesmo e vai em busca do que você quer. Viva de momentos. É assim que tem que ser."
As vozes discutiram entre a impaciência do ser ali desprendido. Chorava feito criança. Com as mãos estiradas pelo chão, assim como o resto do corpo, contorcia-se de agonia. Pensava:
"Que miséria tomou minh'alma feito chaga incurável?" Agora escuto vozes que me ordenam e desnorteiam" - concluiu em delírio.
Não era capaz de exprimir vontade alguma. Sua feição tristonha lhe impediu de tomar uma posição, que fosse, imediata. Por cinco segundos a visão lhe foi recuperada e, enfim, pôde enxergar as duas vozes. Foi quando sentiu-se esfaqueado por si mesmo quando resolveu se aniquilar por não decidir quem acompanhar...
Sabe-se, hoje, que a primeira voz era de quem tanto o amou e a segunda, de quem já amou a primeira e não pôde regressar. Não se sabe do fim, apenas que sobre si convergiam as setas e, para elas, deixou-se o seu temor: o DESERTO INTERIOR.
Junior Chao
Domingo, Setembro 12, 2004
O Porquê
Porque as pessoas são mesquinhas se justifica porque elas se auto-privam e, consequentemente, nada alcançam.
Se tornam inertes a si mesmas.
São pessoas apagadas por toda a vida, procurando por uma luz que são incapazes de produzir.
E vós após?
E voz após...
Junior Chao
.
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
SONETO VII (EVIDÊNCIAS)
Célebre imprudência transtornar
Sem aviso sobre o campo seco e nú
Dobram-se em rugas estigmas no ar
Cospe-se o casco, ventre negro e cru
Doravante, a vida, se não a for,
Em certo, fulgente encontrará
Paradigmas cumulados com horror
da suntuosa vontade de alcançar
No escuro a tempestade que rodeia
Entre vívidos e senis, prosperar
O hábito arruinado que incendeia
Partículas de marasmo pelo ar
E que espele palavras e semeia,
entre o caos, a virtude de calar.
Junior Chao
Terça-feira, Agosto 10, 2004
Composição
=== Este espaço é dedicado ao amigo de infância Alex, que mora em Fortaleza, e mesmo assim mostrou que a distância e os anos não extinguem os laços... Obrigado amigo pela mensagem:
"(07/08 11:32) alex FORTALEZA: vc mostrou ser um bom escritor; e eu me dei a liberdade de musicar O SONETO V. Ok! depois eu lhe passo mais detalhes."
=== Obrigado Alex, mas não sou um escritor. Só gosto de brincar com as palavras... Kkkk
===Tenho certeza que a composição que você fez trará vida suficiente as poucas letras que publiquei no Soneto "V" (Outono). Fique com Deus e espero sua visita aqui em Jampa para ouvir ao vivo. Você provou mais uma vez que a internet faz maravilhas... Rss
Junior Chao
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
Soneto V - OUTONO
A folha seca despojada sobre a superfície
Sente a liberdade, enfim, de se livrar do galho
A brisa golpeia insensibilidade: orvalho
E espalha todo o império vil da planície.
Cai a folha, enfim, desidratada, inanição
E, em rebeldia, desata do umbilical
Agora, sem o teor da seiva elaboral,
Pousa, em sono, só com um toque, pelo chão
Livre, porém, vulnerável situação
Feito o homem no deserto vir a ter
Os lábios rachados os são por lição
Àqueles que insistem a umidade temer
O vestido turvo-neblino da estação
Que anuncia o frio: o renegado poder.
Junior Chao
Sexta-feira, Julho 30, 2004
NOSSA TORRE DE BABEL
=== Podemos utilizar como um paradigma inverso a passagem bíblica em que, obcecados pela unificação, os homens tentaram erguer uma torre, na Babilônia, de forma que nunca fossem espalhados pelas faces da Terra. Em Gênesis 11, podemos acompanhar o momento da “ira” de Deus, punindo-os com a mistura de línguas, de forma que uns não compreendessem aos outros, obrigando-os, destarte, a se separarem em povos, o que, em sede de registro bíblico, teria originado a diversidade das línguas e, daí, conseqüentemente, as nações e diferentes multi-formas-culturais. Bem. Parece-me que fomos perdoados, ou então estamos insistindo no mesmo erro.
=== Após milhares de anos, o mundo já tem, em 80%, uma língua universal: a inglesa. E mais: estamos derrubando as fronteiras geográficas e culturais. Tem alemão ouvindo bossa e índio dançando tecno-beat. A internet caiu como uma luva, exterminando as paredes que separavam as nações e aqueles “que se confundiram pelas línguas com a queda de Babel...”.
=== Pois é. Babel, que significa confusão, está sendo reerguida e com colunas bem resistentes que impeçam uma nova queda. Talvez, sei lá, agora, esta seja a meta de Deus: a união das nações, pela mistura, então, não mais das línguas, mas dos hábitos e culturas como um totum de tudo o que já foi experimentado e apreendido pelo inconsciente coletivo, o que, agora, resulta em uma interação, a qual não pode mais ser mensurada ante o grau de evolução em que já nos encontramos. Temos o instrumento. Entretanto ainda somos ignorantes por não saber usá-lo.
=== O nascimento de blocos econômicos entre países afins; a criação de cortes internacionais; a fome; o descaso; a guerra e o riso. Tudo agora em grande escala, efeitos imediatos de uma globalização pré-histórica ainda temerosa; o que diria melhor: atualmente, estamos vivenciando a era das cavernas numa nova fase da existência humana, onde, conforme a Teoria da Evolução de Darwin, somente restarão aqueles que se adaptarem.
=== Enfim, abandone os continuísmos. Derrube, primeiro, as fronteiras que você criou em torno de ti; depois, aquelas que ergueram, independente de sua vontade própria, com o cunho único de empreender limites desnecessários, que lhes fossem favoráveis (quem são eles?). Pronto: a essência do Ser voltado para um amor maior, paz no mundo, fé em Deus e interação. Ter medo do novo é arriscar ser infeliz.
Junior Chao




